terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu não deveria mas...

Eu te cultivo
Previsível, invisível no dia
Pelas palavras não ditas
Com expressões repetidas
Alimentada pelo espelho que me castiga
Refletindo em mim
A luz de sua indiferença

E por mil novos encantos me apaixono todos os dias

Eu te cultivo
Em cada passo
Cada palavra

Te cultivo nua e inflamada

Te cultivo noite após noite acordada
Não me possuo
Tenho as mãos atadas

Te cultivo entre lágrimas
Viva e bem acordada
Louca desvairada

Te cultivo em minha terra alma armada
Como se fosse a primeira e última, imbatível amada

Te cultivo culpada e flagelada
Como se suas palavras fossem algo além de sua retórica cilada

Eu te cultivo como se o último suspiro fosse todo anoitecer
E toda manhã minha nova sentença

Te cultivo com minhas correntes e rosas
Arrastadas pelo espectro no porão de minha mente atormentada

Te cultivo o cada dia
Cada hora e no infinitivo

Eu te cultivo dolorida e masoquista
Cativa como a odalisca
Contando hipocrisia
Formando distração com palavras
Anulando paixão por suas amarras

Minha auto-indulgência
Pena por mim mesma
Sua auto-mútua-punição

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